Cheias no centro Versão para impressão
Quinta, 11 Março 2010 14:29
Arrancou ontem o processo de resgate das mais de oito mil pessoas que continuavam em zonas de risco no Vale do Zambeze, sendo cerca de quatro mil em Mopeia, na província da Zambézia, e as restantes em Nhangoma, distrito de Mutarara, em Tete, numa altura em que os níveis do rio Zambeze continuam a subir, facto que faz com que as autoridades admitam que poderá haver um cenário sombrio nos próximos dias.
A informação foi facultada à nossa Delegação da Beira pelo director-geral do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC), João Ribeiro, depois de ter sobrevoado algumas zonas de risco nos vales do Zambeze, Búzi, Púnguè e Save, para se inteirar do cenário das cheias que apoquentam a região centro do país, desde finais de Fevereiro passado.

João Ribeiro revelou que maior atenção do momento deve ser prestada ao Vale do Zambeze, pelo facto de os níveis das suas águas estarem a subir continuamente, numa altura em que ainda há pessoas em algumas zonas de risco.

Diante disso, a fonte anunciou que os serviços de administração e o administrador de Tambara, na província de Manica, foram transferidos para a zona alta, porque as águas estavam até então a 40 centímetros, podendo o território ficar inundado a qualquer momento.

Afirmou ainda que cerca de quatro mil pessoas continuavam até ao princípio da manhã de ontem em zonas de risco em diferentes pontos de Mopeia, apesar de disporem de casas nos centros de reassentamento. Equipas de gestão de risco iniciaram na mesma data as operações de resgate para evitar o pior.

Cenário similar se registava em Nhangoma, Mutarara, província de Tete, e já foram tomadas medidas de evacuação das vítimas. Disse ainda que em Caia, província de Sofala, só foram encontradas seis famílias em duas ilhas, mas as autoridades resgataram com sucesso os infortunados.

Ainda em Caia, o posto administrativo de Sena está isolado do resto do país, por via terrestre, devido à subida do rio Zambeze. O distrito do Búzi e o posto administrativo de Chiramba, em Chemba, continuam na mesma situação, o primeiro devido ao curso da bacia que ostenta o mesmo nome e o segundo por causa do rio Púnguè.

Apesar das ilhas dos distritos de Marromeu e Chemba, em Sofala, estarem na iminência de registar inundações, o INGC assegura que todas as pessoas que ali viviam fixaram as suas residências nos centros de reassentamento.
João Ribeiro reiterou que o trânsito continua condicionado na Estrada Nacional Número Seis (EN-6), ao mesmo tempo que assegurava que a situação está controlada. Garantiu, por outro lado, que em caso de qualquer complicação, já está posicionado no Centro Operativo de Emergência (CENOE), em Caia, um contingente militar para salvar as vidas que, eventualmente, venham a necessitar de socorro imediato.  
 
 
Fonte: Zambeziaonline