| Engenheira química à frente do MMAS |
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| Terça, 09 Março 2010 08:07 |
É Uma das novas caras e das mais novas em idade no Executivo recém-formado pelo Presidente da República, Armando Emílio Guebuza. Sua trajectória não se difere na de outros jovens da sua geração, mas um aspecto de realce vai para o facto de, muito cedo, ter lhe sido e de forma continuada confiadas missões de grande responsabilidade:
a nomeação para a direcção de algumas áreas estratégicas e vitais para a economia nacional. Calma, de poucas amizades e muito comprometida com o trabalho, a nossa entrevistada de hoje é a Ministra da Mulher e Acção Social, Iolanda Cintura. Formada em Engenharia Química pela Universidade Eduardo Mondlane, foi até à altura da sua nomeação para o novo cargo directora nacional de Combustíveis, no Ministério de Energia.Na sua primeira entrevista na qualidade de ministra, fala da sua trajectória, infância desafios futuros e a sua visão sobre a área que recentemente abraçou. O facto de vir de uma área que nada tem a ver com a sua formação e muito menos com a experiência anterior não lhe inibiu de experimentar um novo desafio. Espantada com a sugestão para o cargo, dada a sua idade e por vir de um sector diferente, ela sente-se porém, disposta a superar as dificuldades e adaptar-se à nova realidade. Para tal, reconhece que o sucesso do seu desempenho não depende somente dela, mas sim de toda uma equipa que faz parte do seu elenco. Desde que ela seja entrosada, considera, é possível superar qualquer dificuldade. Prova disso é a experiência anterior acumulada no Ministério da Energia, onde chegou a ser directora nacional de Combustíveis. Nasceu a 24 de Julho de 1972, na província de Manica, onde passa parte da sua infância e os primeiros anos de escolarização, até aos oito anos de idade. Depois vai para a cidade dda Beira, onde viria a viver com seus familiares por dois anos. Em 1982 passa a viver na cidade de Maputo, onde faz o Ensino Secundário e Universitário. Em 1998 conclui a licenciatura em Engenharia Química, pela Universidade Eduardo Mondlane. Sonhou ser médica nalgum momento, mas o tempo traçou outros rumos. Formou-se numa área completamente diferente, quis trabalhar em indústria e ou laboratório mas foi para um emprego que nada tinha a ver. Trocou a engenharia química pela elaboração de políticas para a área de combustíveis, que, segundo ela é uma área relevante para a economia do país. A formação de Iolanda Cintura não terminou nos bancos da Universidade Eduardo Mondlane. Ao longo dos anos de trabalho foi participando em vários cursos de capacitação para a área de Economia de Petróleos na Noruega, onde se especializa na economia de petróleos. Teve vários cursos de formação em liderança promovidos pela Função Pública tanto dentro como fora do país. Nos Estados Unidos teve igualmente a oportunidade de participar num curso denominado “Liderança, Mulheres”, vocacionado para projectos na área de Energia, para além da formação na área de Administração Pública. De seguida passamos a transcrever partes mais significativas da entrevista que começou assim. NOT – Qual foi o seu sonho de infância? Sente que foi ao encontro do que está a ser hoje em termos de auto-realização? Ou por outra, alguma vez esteve nas suas previsões ser chamada a desempenhar um cargo tão alto a nível do Governo ou sempre pensou que isso seria para outros? I.C. – Numa certa altura sonhei ser médica por ter um sentimento e vontade de ajudar o próximo realizando uma acção em benefício ao próximo e achei que na Saúde encontraria espaço para tal. Essa era a minha paixão. NOT – Quando é que morre essa paixão? I.C – A dada altura comecei a ver, já em idade adulta, as dificuldades por que passavam os médicos para realizarem a própria formação na área de Medicina. Por outro lado, fui descobrindo que ter a vida das pessoas nas mãos, era uma grande responsabilidade. Não por me considerar incapaz, mas porque tinha chegado a hora de ver que poderia ajudar as pessoas de uma outra forma, mas não necessariamente no campo da Saúde. Já naquela altura senti que o nosso país, em termos de medicina, atravessava momentos difíceis. Senti isso porque tinha amigos a formarem-se em Medicina. Não que na Química fosse tudo muito facilitado, mas como tinha uma paixão pela química e trabalhar em laboratório troquei a Medicina pela Engenharia Química na esperança de poder trabalhar em indústrias. DE ENGENHEIRA QUÍMICA A DEFINIDORA DE POLÍTICAS DA MULHER UMA das questões que se levantam nalguns círculos de opinião tem a ver com a área de formação de responsáveis que muitas vezes ocupam cargos ministeriais em área distantes daquilo que é a sua bagagem como técnicos qualificados. Isso é nalgum momento aliado ao desempenho que essas mesmas pessoas vêm a ter. A nossa entrevistada é licenciada em Engenharia Química, e passa de um sector de energia para a área social. NOT – Vindo de um sector que pouco tem a ver com a sua nova área de trabalho e ainda longe da sua área de formação não acha que isso por si só possa constituir um entrave para o seu melhor desempenho? I.C. – Penso que na vida as coisas nem sempre acontecem como nós planeamos. Eu realmente fiz o curso a pensar que ia trabalhar numa indústria, laboratório ou coisa parecida, mas comecei logo por trabalhar num ministério, na definição de políticas e não na área de química como tal. Implementava essas políticas na área de combustíveis onde analisávamos projectos mais para a área económica. Se formos a ver, mesmo após a minha formação não fui trabalhar para aquilo que pensava que seria minha carreira mas fui para uma área política e económica. Agora estou aqui num novo ministério onde vou iniciar um trabalho numa outra área, que é social. Eu penso que é uma questão da pessoa ajustar-se e ir se adaptando aos desafios que a vida oferece. Muitas vezes nós queremos uma coisa e a realidade dita outra. Penso que temos que estar preparados a aceitar novos desafios e darmos a nossa contribuição. Um aspecto determinante no trabalho é a equipa de trabalho que um indivíduo constitui ou encontra na liderança. Se for uma equipa coesa nunca há espaço para lacunas. NOT – Quando lhe foi sugerido o cargo de ministra qual foi a sua primeira impressão? I.C. – Foi um choque para mim, porque nunca pensei. Primeiro a posição. Olho para a minha idade, nunca imaginei que pudéssemos ter gente nova. É verdade que tivemos no passado logo após a independência ministros muito jovens mas nunca assumi isso para mim. Depois a área. É uma área que não tem nada a ver com aquilo que eu fiz ao longo da minha carreira, da minha formação e nem tem nada a ver com o que perspectivei para a minha vida. NOT – … e o que teria lhe motivado a aceitar o desafio? I.C.- … bom! O que eu venho fazer aqui neste ministério é dar a minha contribuição em termos de coordenar uma equipa de trabalho e penso que uma pessoa nesta posição nem deve trabalhar sozinha. O que deve ter é a capacidade de coordenar uma equipa, motivar as pessoas, estar sempre por perto no sentido de identificar quais as grandes necessidades em termos do que se pretende na área para a qual trabalha e poder trazer isso para junto da equipa e mobilizar aquilo que são os apoios necessários fora daquilo que é a sua instituição no sentido de implementar e resolver os problemas que existem na área, no caso concreto da Mulher e Acção Social. NOT- Sente que encontrou essa equipa capaz de lhe prestar o apoio que precisa? I.C.- Estou numa fase de adaptação mas a primeira impressão que eu tenho é que grande parte da equipa é jovem e os seus membros me parecem dispostos a dar continuidade, imprimindo maior dinâmica no trabalho do sector. Esta é a primeira impressão. Ainda tenho que conhecer melhor as pessoas no dia-a-dia. Mas me parece que são pessoas dispostas a dar a sua contribuição para resolver os problemas que o país tem na área social. Importa referir que os problemas nesta área de Acção Social não dizem respeito somente ao ministério. Esta é minha opinião. A solução deles não depende exclusivamente da Acção Social. São assuntos da sociedade. O que o ministério deve fazer é coordenar todas as acções a serem implementadas pela sociedade e por todas as organizações que existem, associações de uma maneira geral. Nesta área há muito trabalho que está a ser feito por outras organizações e associações. É uma área que requer recursos financeiros para apoiar grupos que estão numa situação de vulnerabilidade, que não têm recursos. Como o país não tem recursos suficientes, para implementar as actividades, temos que contar com a contribuição de todos, quer da sociedade, quer de organizações que tenham recursos financeiros. NOT- Pode nos falar da sua vida fora das instituições por onde trabalhou? I.C. – Sou casada e mãe de dois filhos menores. Uma menina de seis anos e um garoto de um ano e dez meses. Não é fácil conciliar o desafio de ser profissional, mãe, esposa e dona de casa. Eu trabalhei numa área anterior muito complicada em termos de assuntos com os quais lidávamos que eram de grande pressão e que mexiam com a vida das pessoas no dia-a-dia. Isso exigia de mim uma maior dedicação ao trabalho, razão pela qual não tinha hora de entrada e muito menos de saída, tinha que estar sempre atenta ao trabalho e com capacidade de ter uma equipa capaz de coordenar como deve ser. Não foi fácil mas sempre tive o apoio do meu esposo que sempre soube compreender a minha necessidade de me dedicar ao trabalho. Felizmente, os meus filhos sempre gozaram de uma boa saúde e graças a Deus nunca tive grandes transtornos nesse campo. Outro aspecto tem a ver com o facto de eu não ter assim grandes amizades. A minha vida resume-se basicamente no trabalho e casa. Lá em casa também tenho uma equipa que colabora comigo: as pessoas que cuidam dos meus assuntos caseiros. Eu, praticamente, só me dedico aos assuntos caseiros e da minha família aos fins-de-semana, pois no meio da semana nunca tenho disponibilidade. Falo do meu trabalho no passado, vamos lá ver agora como é que vai ser, mas acredito que não poderá ser mais do que eu vivi na área dos combustíveis… não sei, pode ser. Há surpresas, mas não acredito sinceramente que sejam piores que aqueles em termos de me ocupar como o que vivi antes. SOU DE POUCAS AMIZADES, MAS NÃO FECHADA ÀS PESSOAS CALMA e introvertida, é o que se pode ler no semblante da ministra da Mulher e Acção Social. Ela reconhece essa qualidade, mas nega ser uma pessoa fechada às outras, apesar de não ser de grandes amizades. O seu maior compromisso é com o trabalho e com a família, sendo que a natureza do trabalho que exercia antes de passar a ministra era de grande pressão, exigindo muito de si quase que permanentemente. NOT – Como é que a senhora ministra se autoavalia? I.C. – Eu me considero uma pessoa simples. Gosto de estar bem comigo e com os outros. NOT – Disse que era pessoa de poucas amizades. O que é que isso significa? I.C. – É meu carácter! Sou uma pessoa tímida e dificilmente tenho assim grandes amizades. Mas isso não significa que esteja fechada às pessoas. Mas tenho esse carácter que me acompanha desde a infância, que até mudou um pouco se calhar graças ao trabalho, à necessidade de ter que interagir no dia-a-dia com as pessoas. Também me envolvi um bocado no desporto e isso pode ter me ajudado um pouco a abrir o meu carácter. NOT – No desporto praticou alguma modalidade, qual? I.C.- Joguei basquetebol, um desporto colectivo, o que me ajudou um pouco a abrir o meu carácter e interagir um pouco mais com as pessoas. Isso foi durante o tempo todo que estive a frequentar o ensino secundário e um pouco até iniciar a universidade, pois depois disso senti dificuldades em conciliar os estudos e os treinos e deixei de jogar. NOT – Pertenceu a alguma equipa e qual era a sua posição? I.C. – Joguei pelo Costa do Sol como poste. Acho que a minha altura contribuiu para tal. NOT – Poderia nos falar de um momento marcante da sua vida, positiva e negativamente? I.C. – Negativamente é um assunto de que nem gosto de me lembrar: A morte do meu pai. Foi há 10 anos e ela acontece um dia depois de eu ter conversado longamente com ele ao telefone. Ele estava em Manica e eu cá, quando no dia seguinte soube da triste notícia da sua morte. Fiquei bastante chocada. Ele morreu num acidente de viação lá em Manica. Em termos de um assunto que gostei e festejei pela positiva foi o nascimento dos meus dois filhos, que são uma grande alegria para mim, razão pela qual considero esse como o marco positivo da minha vida. NOT.- Que tipo de educação tende a dar aos seus filhos? I.C. – Procuro implementar a educação básica que tive ao longo da minha infância e não procuro ser conservadora porque a vida é dinâmica e assim é necessário dar um pouco de espaço para que eles se adaptem àquilo que é a vida do dia-a-dia, mas também não dou muito espaço. Eles são ainda pequenos, mas aquilo que eu penso fazer é não dar grandes liberdades para que eles percebam aquilo que realmente é a vida. Gostaria que eles estudassem normalmente e terem uma formação, o que é muito importante para qualquer ser humano. NOT – Nas lides domésticas o que gosta de fazer? I.C. – Nas lides domésticas gosto de fazer quase tudo. Fazer experiências na cozinha e arrumar a casa. NOT – E como é que passa os seus tempos livres? I.C. – Leio. Gosto mais de romances. Vejo também filmes de pouca acção, mais calmos, de histórias de vida, normalmente o que as pessoas não gostam em cinema a favor de filmes policiais, com muita acção. O meu marido é disso exemplo. Em termos de gostos, na sétima arte, ele é pelos filmes de acção. NOT – Gosta de viagens, passeios? I.C. - Gosto sim. Penso que qualquer mulher gosta de viajar e meu caso particular é com a família. Gosto imenso de fazer viagens. Exploramos mais o turismo doméstico, procuramos explorar as praias, é verdade que temos pouco tempo. Trabalhamos todo o ano, mas procuramos uma brecha para viagens. Quando os meus filhos eram muito pequenos evitava fazer grandes viagens. Mas das poucas que já fizemos foi mais procurar explorar as praias daqui do sul do país e também alguns locais de Manica. NOT- Podia nos falar um pouco do seu esposo? I.C.- Meu esposo chama-se Mário Seuane. É jurista de formação e trabalha no Ministério da Justiça. Nós estamos juntos, passam mais de 10 anos, com uma filha de seis anos, que é a mais velha, mas casados estamos oficialmente há dois anos. |



É Uma das novas caras e das mais novas em idade no Executivo recém-formado pelo Presidente da República, Armando Emílio Guebuza. Sua trajectória não se difere na de outros jovens da sua geração, mas um aspecto de realce vai para o facto de, muito cedo, ter lhe sido e de forma continuada confiadas missões de grande responsabilidade:
a nomeação para a direcção de algumas áreas estratégicas e vitais para a economia nacional. Calma, de poucas amizades e muito comprometida com o trabalho, a nossa entrevistada de hoje é a Ministra da Mulher e Acção Social, Iolanda Cintura. Formada em Engenharia Química pela Universidade Eduardo Mondlane, foi até à altura da sua nomeação para o novo cargo directora nacional de Combustíveis, no Ministério de Energia.