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História e cultura
O nome Mocuba, supõe-se que tenha derivado do nome “MACUBA”, pelo qual era conhecido um senhor que vivia na área de Sassamanja, antes da fixação dos colonos. Este senhor, oriundo de Namacurra, era um grande produtor e mantinha os seus campos e o pátio sempre limpos, daí ter-lhe sido dado o nome de “NAMACUBA”, que localmente significa “Recolhedor”(de lixo neste caso). Um dia passaram pela zona uns colonos e perguntaram como se chamava aquela área e os populares responderam dizendo que o dono daquelas machambas se chamava “MACUBA”.
Sobre o nome da Sede do Posto Administrativo de Mugeba, sabe-se que existia antigamente um cidadão que respondia pelo nome de NABADHO APICANE AMABE que havia sido escolhido para dirigir a povoação, muito antes da fixação dos colonos.
Passado algum tempo, teria chegado ao conhecimento do senhor NABADHO, através do seus súbditos, a informação de que o seu sobrinho criticava o mau funcionamento da Povoação. Aquele chefe concentrava em sua casa grandes quantidades de bebidas alcoólicas que a população era obrigada a fabricar, num regime de autêntica escravatura.
Revoltado com essas críticas, o senhor NABADHO teria convidado o seu sobrinho para um passeio na margem do rio Licungo; no meio da caminhada, aquele chefe assassinou o seu parente e tapou-o com arbustos, tendo voltado a casa e reportado o acontecido aos restantes membros da família.
Analisada a questão, os familiares decidiram enterrar o morto, tendo ao criminoso cabido a pena de ficar 30 dias fechado em casa privado de liberdade. Cumprida a pena, foi-lhe rapado o cabelo e atribuído o nome de MUTXEMA (que em língua local significa “cabeça rapada”), nome que mais tarde ficou aportuguesado em MUGEBA.
Por último, o nome da Sede do Posto Administrativo de Namanjavira surgiu através de transeuntes que usavam um local que era atravessado por um rio, cujo caudal durante o tempo chuvoso o tornava intransitável. Para darem conhecimento da ocorrência, os nativos diziam “Mueiwe Mandche Yavira” que significa “esperar pela água baixar”. Um cidadão que residia próximo ao local da travessia passou a ser chamado de NAMANDCHE YAVIRA para, assim, servir de referência, já que o local servia de ponto de encontro, descanso e passagem de pessoas e bens. Cenário político actual e sociedade civil
A liderança tradicional é assegurada pelos seguintes representantes do poder ao nível da comunidade: - Régulos e Secretários de Bairros;
- Chefes de Grupos de Povoações;
- Chefe da Povoação;
- Chingore;
- Outras personalidades na comunidade respeitadas e legitimadas pelo seu papel social, cultural, económico e religioso.
Na liderança tradicional existe uma espécie de divisão de trabalho e de funções entre os diferentes líderes das comunidades. Assim, os Secretários têm hoje como função principal a mobilização da comunidade para as tarefas sociais e económicas. Os líderes tradicionais tratam principalmente dos aspectos tradicionais, tais como, cerimónias, ritos e conflitos sociais.
No âmbito da implementação do Decreto 15/2000 sobre as autoridades comunitárias de 1ª e 2ª linhas (régulos, chefes de terras e secretários de bairro), de acordo com as entidades provinciais e distritais, foi levado a cabo um trabalho de divulgação do mesmo em todos os Postos Administrativos, Localidades, Aldeias e Povoações, tendo sido envolvidas todas as camadas sociais.
Autoridades do 1º escalão
| P.Administrativo | Legitimadas | TOTAL | Reconhecidas | TOTAL | | | Mazambo | Secretário | | Mazambo | Secretário | | | Mocuba-sede | 08 | 08 | 16 | 04 | 03 | 07 | | Namanjavira | 05 | 05 | 10 | 01 | 03 | 04 | | Mugeba | 09 | 11 | 20 | 02 | 02 | 04 | | TOTAL | 22 | 24 | 46 | 07 | 08 | 15 | No distrito de Mocuba já foram Legitimadas 561 Autoridades comunitárias, entre as quais 257 são régulos do 1º ao 3º escalões e 304 secretários dentre eles 24 classificados no 1º escalão e 280 por classificar.
A relação entre a Administração do Distrito e as Autoridades Comunitárias é positiva e tem contribuído para a solução dos vários problemas locais, nomeadamente os surgidos devido aos conflitos de terras existentes no distrito e outros que caem no âmbito das suas competências, nomeadamente:
- Colaboração na manutenção da Paz e harmonia social;
- Articulação com os tribunais comunitários na resolução de conflitos de natureza civil, tomando em conta os usos e costumes locais;
- Mobilização e organização das populações para construção e manutenção de fontes de abastecimento de água e aumento da área de produção;
- Mobilização das comunidades locais na manutenção das vias de acesso, locais sagrados e construção de latrinas melhoradas;
- Educação cívica das comunidades sobre o uso sustentável e gestão de recursos naturais, incluindo a prevenção das queimadas descontroladas e caça ilegal;
- Mobilização e organização das populações para o pagamento do Imposto de Reconstrução Nacional;
- Mobilização dos pais e encarregados de educação para mandarem os seus filhos à escola, principalmente as raparigas;
- Divulgação das Leis, deliberação dos Órgãos Locais do estado e outras informações úteis à comunidade.
Através dos líderes comunitários, as populações têm-se envolvido na busca de soluções para os problemas existentes, nomeadamente, no combate à criminalidade, em colaboração com a Polícia Comunitária, através da apreensão e denúncia de delinquentes; no combate ao cultivo, consumo e comercialização de estupefacientes (suruma); na abertura de vias de acesso; na confecção de tijolos no âmbito do programa de “comida por trabalho” e na abertura de poços comunitários usando material convencional ou local.
A religião dominante é a Muçulmana, praticada pela maioria da população do distrito. Existem outras crenças no distrito, sendo prática corrente que os representantes das hierarquias religiosa se envolvam, em coordenação com as autoridades distritais, em várias actividades de índole social.
Fonte: Ministério da Administração Estatal (PERFIL DO DISTRITO) Edição 2005
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