Economia e Serviços PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Sábado, 09 Agosto 2008 10:21



A agricultura é a actividade dominante e envolve quase todos os agregados familiares. O distrito  de Mocuba  possui  enormes  potencialidades  de recursos  naturais  (ago-pecuários, florestais,  pesqueiros,  minerais), artístico-culturais  e de turismo, cujo nível de exploração ainda  é  baixo,  colocando-o  numa  situação  de  menor  grau  de  desenvolvimento  socio- económico.

As condições naturais favoráveis, tais como, solos férteis, pluviosidade razoável, garantindo humidade  do  solo  durante  a  maior  parte  do  ano,  a  abundância  da  rede  hidrológica, conferem um alto potencial agrícola e tornam o distrito de Mocuba num autêntico celeiro e reserva de produtos de consumo da província.

A pecuária reveste-se de capital importância para a economia do distrito de Mocuba, pois o potencial natural existente concorre para que se desenvolva rapidamente, contribuindo para a criação de postos de emprego e produção de proteína animal. A actividade pecuária é praticada  pelo sector  familiar  e empresarial,  principalmente  na criação  de gado  caprino, bovino, suíno e galináceos.

De  um  modo  geral,  a  agricultura  é  praticada  manualmente  em  pequenas  explorações familiares em regime de consociação de culturas com base em variedades locais.

A produção  agrícola é feita predominantemente  em condições  de sequeiro, nem sempre bem sucedida, uma vez que o risco de perda das colheitas é alto, dada a baixa capacidade de armazenamento de humidade no solo durante o período de crescimento das culturas.

O sistema  de produção  predominante  nos solos  de textura  pesada  e mal drenados  é a monocultura  de arroz pluvial (na época chuvosa) seguida por batata doce em regime de camalhões  ou  matutos  (época  fresca),  enquanto  que  nos  solos  moderadamente  bem drenados  predominam  as  consociações  de  milho,  mapira,  mexoeira,  mandica  e  feijões
nhemba e boere. O algodão é a cultura de rendimento, a par do cajú, mais importante. Este sistema de produção é ainda complementado por criações de espécies como gado bovino, caprino, e aves.

Somente  em 2003, após o período de seca e estiagem  que se seguiu e a reabilitação  de algumas  infra-estruturas,  se  reiniciou  timidamente  a  exploração  agrícola  do  distrito  e  a recuperação dos níveis de produção.

O fomento pecuário no distrito tem sido fraco. Porém, dada a tradição na criação de gado e algumas infra-estruturas existentes, verificou-se algum crescimento do efectivo pecuário.

O  distrito  é  rico  em  espécies  nativas  produtoras  de  madeiras  preciosas  e  tem  grande potencial  silvícola.  As  principais  espécies  de  madeira  são:  Mucarala,  Umbila,  Chanfuta, Jambire, Muroto, Pau Ferro, Mondzo, Mucarala. O desflorestamento e a erosão de solos são problemas que afectam sobremaneira o distrito de Mocuba. A lenha é a fonte de energia mais utilizada para a confecção de alimentos.

A caça e a  pesca são também recursos de que o distrito dispõe para enriquecimento da dieta das  famílias.  A  fauna  bravia  do  distrito  é  referida  como  tendo  potencial  para  a  caça comercial  e para o turismo.  Existe  uma vasta gama de animais  selvagens  destacando-se dentre eles os leões, leopardos, coelhos, macacos, gazelas, javalis e changos.

O Parque Industrial  Têxtil, na cidade de Mocuba  domina a infra-estrutura  industrial  do distrito. Ocupando uma área de 19 hectares, constituído por blocos destinados aos serviços administrativos; de apoio, de fábrica-escola, de armazéns e da própria fábrica. Note-se que este projecto, cuja construção foi iniciada nos anos 80, não chegou a ser concluído.
A  pequena  indústria  local  (pesca,  carpintaria  e  artesanato)  surge  como  alternativa  à actividade agrícola, ou prolongamento da sua actividade.
Mocuba  tem  uma  actividade  comercial  relativamente  extensa,  tendo  mercados  para  os produtos locais não só no próprio distrito, mas também nos distritos vizinhos e no Malawi. Para a maior parte dos produtos (agrícolas, pecuários, bens de consumo), as transacções comerciais  são conduzidas  nos mercados  e lojas locais. No entanto, há comerciantes  de fora,  nomeadamente  de  Maputo,  Beira,  Quelimane,  Nampula  e  mesmo  do  Malawi,  a operarem na zona.


Existem no distrito 30 moagens (7 inoperacionais). O distrito conta, ainda, com 4 oficinas, 1 (uma)  estação  de  serviço,  4  carpintarias,  2  serrações  e  6  padarias  (2  inoperacionais).

Funcionam   no  distrito  8  estabelecimentos   de  hotelaria,   incluindo   pensões,   bares  e restaurantes. No âmbito das atribuições  deste sector o Governo  financiou  3 comerciantes  através do projecto da Caixa Francesa, os quais não honraram os respectivos compromissos; 3 através do FARE. Dstes últimos, 1 (um) reabilitou e apetrechou uma loja em Muaquiua e 2 têm projectos de construção de cantinas rurais em Namanjavira, em fase de conclusão. Para o ano 2002 foram propostos 4 beneficiários do FARE. Constitui preocupação do sector que o Governo estude mecanismos de financiar os comerciantes informais, uma vez que estes se propõem comparticipar em blocos. O FUTUR financiou um operador da indústria hoteleira na cidade de Mocuba.
Noventa  por cento  das  55 lojas  operacionais   está localizada na  área  municipal,  onde por sinal  residem 60.000 pessoas  contra  261.806 habitantes  que  perfazem  o  distrito (o número  dos  Munícipes  consta  nas  fontes  do  Conselho Municipal ). É óbvio  que  se conclua     que     o     sector  informal     é  o  que         maior  contributo     tem     dado      para     o abastecimento      das  populações  nas  zonas     recônditas     em     produtos         de     primeira necessidade  e  tem  sido  aquele  que  sobremaneira  absorve os excedentes  da  produção agrícola, superando  de  longe  o Instituto  Cereais  de  Moçambique ( ICM ) que  compra os  produtos  na  porta do armazém ( localizado no Município ).

Estão representados no distrito de Mocuba 2 Bancos Comerciais (BIM e Banco Austral) e 2 instituições     financeiras     (micro-finanças),    nomeadamente,     Cresce     Moçambique     e AMODER).

Fonte: Ministério da Administração Estatal (PERFIL DO DISTRITO) Edição 2005